A baunilha. Ou a figo. Chá branco. Algodão. Sândalo. Flor de laranjeira. Há pessoas que cheiram a cashmere, seja lá qual for o cheiro disso.
O sabonete tem cheiro. O champô tem cheiro. O amaciador deixa cheiro no cabelo. O creme deixa cheiro na pele. Depois de tudo isto, pomos perfume. E ainda perfumamos a casa.
É curioso o incómodo que temos com aquilo que simplesmente cheira a si próprio.
Pele limpa cheira a pele. Cabelo lavado cheira a cabelo. Uma casa habitada tem cheiro de casa habitada. Mas parece pouco.
Talvez seja porque os cheiros fazem uma coisa que os objetos não conseguem fazer: ficam na memória. Há perfumes que são pessoas. Uma pessoa passa por nós na rua e, por dois segundos, estamos noutra casa, verão, cama.
Às vezes é alguém de quem gostávamos. Às vezes não.