Talvez seja a cama. É enorme, está impecavelmente feita e, mais importante ainda, não fomos nós que a fizemos.
Talvez seja o quarto. Não há roupa para apanhar. Não há contas, gatos, listas de compras ou aquela gaveta que continua por arranjar.
Há apenas uma cama, duas pessoas e muito pouco para fazer.
Em casa podemos querer fazer sexo e, cinco minutos depois, lembrar-nos de pôr a loiça na máquina. Num hotel, a loiça é problema de outra pessoa.
Esse o verdadeiro luxo dos hotéis. É entrar num quarto onde a nossa vida normal não conseguiu entrar connosco.
Durante uma noite não somos a pessoa que tem de comprar papel higiénico, responder a mensagens, dar comida ao gato ou decidir o que fazer para o jantar. Somos apenas a pessoa que acabou de entrar num quarto e fechou a porta.