Agora somos todas bonitas. Todos os corpos são bonitos.
Gordos são bonitos. Magros são bonitos. Velhos são bonitos. Jovens são bonitos. Com estrias são bonitos. Com celulite são bonitos. Com cicatrizes são bonitos.
Temos de aprender a amá-lo. Aceitá-lo. Celebrá-lo. Olhar para o espelho e encontrar qualquer coisa bonita. Repetir afirmações. Trabalhar a autoestima.
Porque é que não conseguimos simplesmente deixar uma mulher ser feia? Não como insulto. Não como tragédia. Simplesmente feia. Ou banal. Ou tão desinteressante de observar como um cotovelo.
A pergunta mais interessante não é porque é que não achamos todos os corpos bonitos. É porque raio haveríamos de achar?
Um corpo é uma coisa viva que nos transporta durante algumas décadas. Tem coisas bastante mais urgentes para fazer. Tem de respirar. Cagar. Dormir. Foder. Curar feridas. Sentir frio. Ter fome. Tremer. Envelhecer.
Estamos nuas, excitadas, a sentir prazer e, no meio de tudo aquilo, ainda conseguimos pensar se a barriga está numa posição favorável. É quase admirável. O corpo está ocupado a sentir e nós interrompemo-lo mentalmente para verificar se está apresentável.
Dizer que “todos os corpos são bonitos” não resolve o problema. É uma frase simpática, mas continua a exigir beleza.
E se alguns corpos não forem bonitos? O que é que acontece? Nada.