Há pessoas cujo cheiro queremos cheirar outra vez. O cheiro delas. O que fica quando já não há perfume.
Não há necessariamente nada de bom naquele cheiro. Suor. Sebo do cabelo. Hálito. Restos do dia. Nós gostamos. E mais ninguém percebe.
É das coisas mais animais que fazemos sem admitir que somos animais. Estamos literalmente a meter o nariz num corpo e a puxar o ar para dentro. Às vezes várias vezes.
Podemos gostar da maneira como fala, pensa, se veste ou come. A cara é para toda a gente. A voz também. Mas ninguém decide gostar do cheiro da pele de alguém.
A pergunta mais interessante não é porque gostamos tanto do cheiro de algumas pessoas. É porque é que, quando gostamos, queremos chegar tão perto que precisamos de as cheirar?