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Porque é que fingimos que toda a gente tem uma vida sexual incrível?

Porque é que fingimos que toda a gente tem uma vida sexual incrível?

Pelos vistos, toda a gente anda a fazer imenso sexo. É extraordinário.

As pessoas estão cansadas, trabalham dez horas por dia, têm filhos, cães, contas para pagar, roupa para lavar, dormem mal e passam quarenta minutos na cama a ver vídeos curtos. Mas sexo? Imenso.

Toda a gente parece ter uma vida sexual. Há pessoas que dizem “a nossa vida sexual”, como se fosse uma coisa própria. Regular. Interessante. Com novidades. Não apenas uma vida em que, de vez em quando, há sexo. Uma vida sexual.

E nós começamos a fazer contas. Quantas vezes é normal? Uma vez por semana? Três? Todos os dias parece cansativo. Uma vez por mês parece pouco. Mas pouco para quem?

O mais estranho é que sabemos perfeitamente que as pessoas mentem sobre quase tudo. Mentem sobre quanto ganham. Sobre quanto bebem. Sobre a dieta. Mas, por alguma razão, quando alguém diz que faz sexo quatro vezes por semana, acreditamos.

E pior: comparamos.

Sentimos aquela sensação desagradável de que, algures, os outros estão todos a divertir-se muito mais do que nós. Não estão. A verdade é muito menos interessante.

Há pessoas que fazem muito sexo. Pessoas que fazem pouco. Pessoas que não fazem nenhum e estão bem. Pessoas que não fazem nenhum e gostariam de fazer. Há casais que passam semanas sem se tocar. Há quem esteja mais interessado em dormir.