Olhos abertos. Sem sono. Já vimos as horas. Já pensámos no café. Podíamos levantar-nos. Mas podemos não levantar.
E é essa parte que sabe bem. Porque dormir é uma necessidade. Ficar na cama acordada é outra coisa. É desperdício. Não estamos a descansar. Não estamos a dormir. Não estamos a fazer nada que justifique continuarmos ali. Estamos só quentes. Deitadas. Sem qualquer ambição.
Durante a semana, a cama é uma estação de serviço. Entramos para dormir. Saímos para funcionar: tomar banho, vestir, sair, trabalhar, responder, fazer.
Mas há dias em que acordamos e nada nos está a mandar levantar.
Podemos ir fazer café. Mas o café pode esperar. Podemos começar o dia. Mas para quê tanta pressa?
Estamos no limbo entre já não precisar de dormir e ainda não precisar de ser pessoa. Esse “ainda não precisar” é um prazer do caraças.